Identificando (in)definitude em Mebêngôkre (Kayapó)
DOI:
https://doi.org/10.31513/linguistica.2025.v21n3a69727Resumo
A pesquisa formal em semântica de línguas indígenas necessita de elicitações muito bem desenhadas, em que os contextos estejam bem definidos, para que se possa saber qual é a divisão de trabalho entre os itens lexicais e onde eles podem ou não ser adequadamente empregados. Saber mais sobre a gramática de línguas minorizadas põe à prova teorias e universais linguísticos e pode contribuir para empoderar os falantes da língua. Este artigo apresenta os primeiros resultados de uma pesquisa inédita sobre o sistema nominal em Mebêngôkre (Macro-Jê). Os dados elicitados seguiram os critérios propostos por Dayal (2026) para investigação de (in)definitude nas línguas naturais, com o objetivo de verificar os parâmetros semânticos de Chierchia (1998, 2021). Os resultados preliminares apontam que a língua Mebêngôkre (Kayapó) não possui marcadores de definitude, mas apresenta uma série especializada em indefinitude. Entretanto, resta compreender a distribuição desses marcadores e se a natureza é evidencial ou epistêmica, como alguns dados sugerem. Espera-se contribuir para os estudos sobre línguas indígenas como protagonistas na reformulação de modelos em semântica e para a valorização da língua. Além da documentação, destaca-se a produção de materiais didáticos voltados às escolas Mebêngôkre presentes no município de São Félix do Xingu, no Pará.
Palavras-chave: (In)definidos. Nominais nus. Parâmetros semânticos. Mebêngôkre (Kayapó). Línguas indígenas.
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