À MESA DA CIVILIZAÇÃO

ALIMENTAÇÃO, SOCIABILIDADE E DISTINÇÃO NAS VIAGENS DE LONGO CURSO DA MARINHA DO BRASIL (SÉCULOS XIX–XX)

Autores

  • Sergio Willian de Castro Oliveira Filho Marinha do Brasil

Resumo

O presente artigo analisa os discursos relacionados às práticas alimentares e comportamentos à mesa por parte de oficiais da Marinha do Brasil durante as viagens de longo curso realizadas na segunda metade do século XIX e na primeira década do século XX. A partir da leitura de relatos de viagem, relatórios oficiais, periódicos e memórias produzidos por comandantes e oficiais navais, discutimos em que medida banquetes, almoços, jantares e recepções a bordo dos navios constituíram-se em instrumentos centrais de representação diplomática e de afirmação de uma pretensa civilidade brasileira em contextos de encontros culturais. O artigo demonstra como o ato de comer extrapolava a satisfação de necessidades fisiológicas, convertendo-se em uma linguagem social marcada por gestos, rituais, escolhas alimentares e códigos de autocontrole. Nessas ocasiões, a alimentação operava como marcador simbólico de distinção social, permitindo aos oficiais brasileiros projetarem uma imagem de refinamento, ordem e pertencimento à modernidade ocidental, em consonância com modelos europeus hegemônicos. Assim, o estudo evidencia o papel das práticas alimentares na construção discursiva da identidade nacional e na atuação da Marinha de guerra como instrumento de diplomacia cultural em tempos de paz.

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Publicado

31-10-2026

Como Citar

Oliveira Filho, S. W. de C. (2026). À MESA DA CIVILIZAÇÃO: ALIMENTAÇÃO, SOCIABILIDADE E DISTINÇÃO NAS VIAGENS DE LONGO CURSO DA MARINHA DO BRASIL (SÉCULOS XIX–XX). Revista De História Comparada, 20(1). Recuperado de https://www.revistas.ufrj.br/index.php/RevistaHistoriaComparada/article/view/73216