ENTRE MALASSADAS E SONHOS DE RIO PARDO
CIRCULAÇÃO ATLÂNTICA, ADAPTAÇÃO TÉCNICA E RETERRITORIALIZAÇÃO DE UMA PRÁTICA CULINÁRIA
Résumé
Este artigo analisa, em perspectiva histórica comparada, as relações entre as malassadas açoriano-madeirenses e os Sonhos de Rio Pardo como preparações conectadas por processos de circulação, apropriação e ressignificação no espaço atlântico luso-brasileiro. Com apoio em pesquisa documental e em história oral, e operando com a noção de tradução culinária, examinam-se continuidades técnicas, inflexões de calendário, circuitos de transmissão do saber-fazer e disputas de autenticidade. Argumenta-se que os Sonhos não constituem reprodução das malassadas, mas reelaboração historicamente situada, produzida por adaptação técnica, disponibilidade local de insumos e transmissão intergeracional feminina. Demonstra-se, ainda, que a conversão da iguaria em símbolo gastronômico municipal desencadeou tensões entre memória familiar, formalização associativa e legislação patrimonial.
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