ENTRE POMME E CULLEN
TRANSIÇÃO PARA MEDICINA NERVOSA E ALIMENTAÇÃO TERAPÊUTICA NAS DOENÇAS FEMININAS DO SÉCULO XVIII
Resumo
O artigo analisa as relações entre alimentação, terapêutica e teoria médica em tratados dedicados às doenças femininas no final do século XVIII, particularmente à histeria. A partir das obras de Pierre Pomme (Traité des affections vaporeuses des deux sexes, 1760) e William Cullen (First lines of the practice of physic, 1785) examina-se a transição entre explicações hipocrático-humorais e modelos centrados no sistema nervoso, enfatizando o papel da alimentação na medicina nervosa setecentista. Caldos, tisanas, leites, águas vegetais e regimes moderados aparecem como instrumentos terapêuticos voltados à regulação da sensibilidade e da excitabilidade nervosa. O estudo mobiliza ainda o Jornal Encyclopedico (1789), evidenciando a circulação dessas concepções no espaço luso-português. Argumenta-se que os regimes alimentares ultrapassavam a dimensão fisiológica, articulando-se à normatização das emoções e da feminilidade por meio da disciplina cotidiana do corpo.
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