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Chamada para publicação:

2026-01-08

Comunicado Editorial

Informamos à comunidade acadêmica e científica que o periódico recebe artigos em regime de fluxo contínuo, assegurando maior agilidade no processo de submissão e avaliação.

No ano de 2026, estão previstas três edições regulares, reafirmando nosso compromisso com a difusão do conhecimento e a excelência editorial.

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Aktuelle Ausgabe

Bd. 6 Nr. 2 (2026): DOSSIÊ GT FILOSOFIA E RAÇA- CONFLUÊNCIAS ENTRE FILOSOFIA E RAÇA: DESVELANDO AS MÁSCARAS BRANCAS
					Ansehen Bd. 6 Nr. 2 (2026): DOSSIÊ GT FILOSOFIA E RAÇA- CONFLUÊNCIAS ENTRE FILOSOFIA E RAÇA: DESVELANDO AS MÁSCARAS BRANCAS

É com grande satisfação que anunciamos a segunda edição de 2026 da Revista de Estudos Anarquistas e Decoloniais (READ) da UFRJ, marcada pela publicação de seu primeiro dossiê, dedicado às Filosofias Pluriversais. Este dossiê resulta do I Encontro do GT Filosofia e Raça da Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia (ANPOF), realizado virtualmente pelo canal do GT em outubro de 2025, reunindo debates significativos desenvolvidos ao longo do evento e oferecendo reflexões que enriquecem e ampliam o campo dos estudos decoloniais e contracoloniais.

Em um contexto de crescente desvalorização da Filosofia no cenário brasileiro — tanto na educação básica quanto no ensino superior — as filosofias decoloniais, contracoloniais produzidas por mulheres, autores(as) negros(as) e indígenas têm adquirido destaque no debate público. Esse protagonismo se expressa tanto por meio de críticas diversas quanto pela ampla circulação dessas perspectivas nas mídias, especialmente entre movimentos sociais que, ao se engajarem nas lutas políticas de classe e identitárias, contribuem para a popularização e o fortalecimento desses debates no espaço público.

Nesse sentido, tais perspectivas filosóficas desvelam as “máscaras brancas” identificadas por Fanon. Em outras palavras, cada vez mais, movimentos feministas, negros e indígenas têm se articulado a partir de uma filosofia pluriversal — em oposição ao universalismo abstrato — com o propósito de desestabilizar o disfarce da branquitude, sustentado por séculos como parâmetro de humanidade e como objeto de desejo imposto àqueles que foram historicamente negados como sujeitos plenos.

Dito isso, apresentamos os artigos que compõem este dossiê, cada qual contribuindo de maneira singular para o aprofundamento das discussões acerca das Filosofias Decoloniais, Contracoloniais, Anticoloniais, Africanas e Afro-diaspóricas. Trata-se de uma edição negra, elaborada majoritariamente por autores e revisores negros, rompendo com o elitismo acadêmico que, por gerações, se expressou quase exclusivamente a partir de uma perspectiva filosófica eurocêntrica.

O artigo de abertura, “Semeando em Solo Fértil: Considerações Teóricas sobre o Amplo Espectro das Filosofias Africanas”, de Marina Nunes Dias, oferece uma reflexão abrangente e rigorosa sobre a constituição, a legitimidade e a pluralidade das filosofias africanas no cenário intelectual contemporâneo.

Em seguida, “Interseccionalidade e Invisibilidade: Um Mapeamento das Pesquisas sobre Mulheres Negras Surdas”, de Andreia Tavares, analisa como raça, gênero e surdez se entrecruzam para produzir formas específicas de apagamento social e acadêmico. A autora realiza um levantamento das pesquisas existentes e evidencia a escassez de estudos sobre essa intersecção.

No artigo “O Elemento da Raça no Pensamento Mítico de Ernst Cassirer”, Francisco Gustavo de Souza Flor examina como Cassirer articula raça e mito na formação do mito político moderno, especialmente em O Mito do Estado e na Filosofia das Formas Simbólicas II. O autor demonstra que o culto da raça e o culto do herói estruturam o pensamento mítico e são fundamentais para compreender a gênese dos mitos políticos do século XX.

Matheus Sena Asevedo Campanhã, em “Violência Emancipadora do Colonizado: Um Estudo Fanoniano para a Descolonização”, discute, a partir de Frantz Fanon, a violência emancipadora como elemento indispensável ao processo de descolonização e à reconstrução do humano negado pelo colonialismo. O autor evidencia que essa violência, longe de ser mero instrumento, integra a luta pela libertação nacional e pela superação das estruturas físicas e metafísicas do mundo colonial.

Pedro Poeta, em “Da Cosmofobia Colonial a Novas Significações e Envolvimentos com a Existência”, propõe — a partir de uma metodologia do “envolvimento” — o fortalecimento do campo acadêmico e da luta contracolonial por meio da ressignificação de narrativas, visando enfrentar os impactos ambientais, sociais e raciais produzidos pela cosmofobia colonial.

Encerramos o dossiê com o artigo de Rafael Oliveira e Kaio Ximenes, “Vivências, Memórias e Resistência: O Papel Ético Imposto à População Negra na Sociedade de Exploração Colonial e Capitalista Brasileira”, que analisa como a população negra, historicamente submetida à exploração colonial e capitalista, enfrenta narrativas opressoras e transforma suas vivências em práticas de resistência. A partir de autores como Antônio Bispo dos Santos, Clóvis Moura e Lélia Gonzalez, o texto investiga formas de enfrentamento presentes nas comunidades negras, destacando a música como expressão política, memorial e de afirmação coletiva.

Nessas confluências entre filosofia e raça, a superação do apagamento social e acadêmico não é concessão: é conquista da luta. Ela exige o reconhecimento entre pares, mas sobretudo a ruptura com as estruturas que historicamente nos excluíram. Ao afirmarmos nossas existências, desestabilizamos os fundamentos que os sustentam. Neste enfrentamento direto às “máscaras brancas” e às engrenagens coloniais ainda em operação, que insistem em normatizar a humanidade a partir da branquitude, produzir conhecimento é incontornável. A luta pela libertação, portanto, é prática contínua, coletiva e insurgente, na qual cada gesto de resistência atua na corrosão das estruturas físicas e metafísicas do mundo colonial que nos constitui. Durante a superação das estruturas físicas e metafísicas do mundo colonial cada pequena revolução se faz linda demais.

O dossiê que ora se oferece ao público traz reflexões filosóficas para se pensar o universal, mas o faz com os pés cravados no lócus de enunciação da realidade brasileira, porque não se furta aos debates das contradições que fundam essa sociedade, sem desconsiderar as suas conexões com a geopolítica e a história mundial. Pensar desde a coletividade negra possibilita enxergar que não há modernidade sem colonialidade, e que o mundo moderno se estruturou sobre bases racistas para a justificação de interesses de exploração econômica.  Filosofar desde o nosso território é compreender que o racismo estrutura as relações assimétricas na sociedade e hierarquiza as interações individuais, o que torna impossível interpretar a realidade sem considerar as interseccionalidades de raça, de gênero, de idade, de capacidades, territoriais e de classe social. Dispositivos hierarquizantes criados e utilizados para preservar as desigualdades do sistema-mundo capitalista.

Com este conjunto de trabalhos em parceria com do GT Filosofia e Raça, reafirmamos o compromisso da READ/UFRJ em promover debates críticos, plurais e comprometidos com a descolonização do pensamento, da História e da Filosofia, em particular, fortalecendo vozes e perspectivas que historicamente sofreram de epistemicídio e historicídio, mas que hoje se erguem com vigor para reconfigurar o horizonte filosófico brasileiro.

Saudações decoloniais e libertárias!

Boa Leitura!

Eduardo Ferraz Franco

Fabíola Araújo

Pamela Cristina de Gois

Paulo Fernandes

Wallace de Moraes

 

 

 

Veröffentlicht: 2026-04-21

Komplette Ausgabe

Editorial

  • EDITORIAL DOSSIÊ

    Wallace de Moraes
    5-8
    DOI: https://doi.org/10.59488/9433

Dossiê do GT Filosofia e Raça

  • SEMEANDO EM SOLO FÉRTIL: CONSIDERAÇÕES TEÓRICAS SOBRE O AMPLO ESPECTRO DAS FILOSOFIAS AFRICANAS

    Marina Nunes Dias
    9-31
    DOI: https://doi.org/10.59488/71111
  • INTERSECCIONALIDADE E INVISIBILIDADE: UM MAPEAMENTO DAS PESQUISAS SOBRE MULHERES NEGRAS SURDAS

    Andreia Tavares
    32-58
    DOI: https://doi.org/10.59488/6311
  • O ELEMENTO DA RAÇA NO PENSAMENTO MÍTICO DE ERNST CASSIRER

    Francisco Gustavo De Souza Flor
    59-73
    DOI: https://doi.org/10.59488/009
  • VIOLÊNCIA EMANCIPADORA DO COLONIZADO: UM ESTUDO FANONIANO PARA A DESCOLONIZAÇÃO

    Matheus Sena Asevedo Campanhã
    74-93
    DOI: https://doi.org/10.59488/821
  • DA COSMOFOBIA COLONIAL A NOVAS SIGNIFICAÇÕES E ENVOLVIMENTOS COM A EXISTÊNCIA

    Pedro Jorge Miranda Abreu
    94-111
    DOI: https://doi.org/10.59488/0241
  • VIVÊNCIAS, MEMÓRIA E RESISTÊNCIA O PAPEL ÉTICO IMPOSTO À POPULAÇÃO NEGRA NA SOCIEDADE DE EXPLORAÇÃO COLONIAL E CAPITALISTA BRASILEIRA

    Rafael Oliveira, Kaio Ximenes
    112-129
    DOI: https://doi.org/10.59488/053
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Saudações acadêmicas e libertárias,

Comitê editorial da Revista de Estudos Anarquistas e Decoloniais