Ingenium, genus e catharsis
redesenhando o tragicus orator em Cícero
DOI:
https://doi.org/10.25187/codex.v14i1.73775Parole chiave:
tragicus orator, ingenium, genus grande, catharsisAbstract
Este artigo buscará investigar o lugar do tragicus orator na teoria retórica de Marco Túlio Cícero (106–43 a.C.). Partindo do princípio tripartido dos estilos de discurso (genera dicendi) e dos deveres do orador (officia oratoris), o foco recairá sobre o genus grande e suas reverberações. Como corpus central, analisaremos os tratados De oratore (55 a.C.) e Orator (46 a.C.), com especial atenção à tensão entre ars e ingenium. Interessa-nos compreender, de modo particular, como o ingenium, a disposição inata do orador, pode orientar certos perfis em direção a um estilo marcado por tonalidades trágicas. O qualificativo tragicus também será interrogado não apenas em sua dimensão técnica, mas também literária e performativa, a fim de mostrar que a eloquência veemente é capaz de produzir efeitos que se aproximam de uma verdadeira catarse oratória. Para melhor observar esse aspecto catártico, tomaremos como exemplo as Catilinárias, especialmente a primeira, em que Cícero mobiliza metus e odium como afetos coletivos que inflamam o auditório contra Catilina. É justamente nesse ponto que reside a hipótese mais ousada desta investigação: a possibilidade de conceber uma catarse oratória, distinta da trágica, mas igualmente arrebatadora, inscrita no ato persuasivo. Pretende-se, assim, mostrar que é pelo ingenium que certos oradores encarnam a tonalidade trágica, e que isso gera efeitos que ultrapassam a persuasão ordinária e se aproximam da catarse; ao mesmo tempo, delinear a figura de um orador que é perfectus e, ao mesmo tempo, excedente, um tragicus orator.
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